Coisas
básicas como a solicitação de um relógio de luz, ou de um
hidrômetro de água transformaram-se em verdadeiras sagas para os
novos moradores do Rio Vermelho. Isto porque muitas vezes a pessoa
que vai até uma agência pro cidadão, órgão municipal que atende
as solicitações destinadas tanto a Celesc (Centrais Elétricas de
Santa Catarina S.A) como a Casan (Companhia Catarinense de Águas e
Saneamento), se depara com alguns obstáculos, inclusive mau
atendimento.
No
balcão, as exigências vão desde apresentação de uma planta da
moradia assinada por um engenheiro ou um arquiteto até a
documentação completa do imóvel, o que é justo. É importante
dizer que a assinatura de um desses profissionais pode custar R$ 6
mil em Florianópolis (valor de 2012). Basta olhar para o perfil
dos moradores do bairro – a maioria aposentados ou trabalhadores
médios - para saber que, não raras vezes, quem constrói casa e
vive no Rio Vermelho dispõe apenas do valor monetário para o
material e a mão de obra e olhe lá. Sem falar que a situação
legal da maioria dos terrenos é de posse, e poucos têm escritura
pública. Soma-se a tudo isso a falta de fiscalização. Ou seja:
muito se pede e pouco, ou nada, se dá...
Tal
situação favoreceu a criação de uma rede de serviços paralelos
para a instalação de luz e de água para quem se dispuser a
desembolsar entre R$ 1 mil – para ter luz em casa, e R$ 1,8 mil –
para ter luz e também água (preços de 2012). Por falta de
alternativa – já que não têm uma planta da construção
assinada, portanto a prefeitura não dá o aval - , muitos aceitam
a “extorsão”. Outros apelam para ligações clandestinas, e há
ruas inteiras servidas por “gatos”. Há aqueles que com sorte
conseguem as ligações com um empurrãozinho de algum amigo que
conhece um político e, finalmente, os que desistem de viver na
capital catarinense, carinhosamente chamada por muitos de “ilha
da magia”.
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