domingo, 10 de novembro de 2013

Serviços irregulares

Coisas básicas como a solicitação de um relógio de luz, ou de um hidrômetro de água transformaram-se em verdadeiras sagas para os novos moradores do Rio Vermelho. Isto porque muitas vezes a pessoa que vai até uma agência pro cidadão, órgão municipal que atende as solicitações destinadas tanto a Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A) como a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), se depara com alguns obstáculos, inclusive mau atendimento.  
 
No balcão, as exigências vão desde apresentação de uma planta da moradia assinada por um engenheiro ou um arquiteto até a documentação completa do imóvel, o que é justo. É importante dizer que a assinatura de um desses profissionais pode custar R$ 6 mil em Florianópolis (valor de 2012). Basta olhar para o perfil dos moradores do bairro – a maioria aposentados ou trabalhadores médios - para saber que, não raras vezes, quem constrói casa e vive no Rio Vermelho dispõe apenas do valor monetário para o material e a mão de obra e olhe lá. Sem falar que a situação legal da maioria dos terrenos é de posse, e poucos têm escritura pública. Soma-se a tudo isso a falta de fiscalização. Ou seja: muito se pede e pouco, ou nada, se dá... 

Tal situação favoreceu a criação de uma rede de serviços paralelos para a instalação de luz e de água para quem se dispuser a desembolsar entre R$ 1 mil – para ter luz em casa, e R$ 1,8 mil – para ter luz e também água (preços de 2012). Por falta de alternativa – já que não têm uma planta da construção assinada, portanto a prefeitura não dá o aval - , muitos aceitam a “extorsão”. Outros apelam para ligações clandestinas, e há ruas inteiras servidas por “gatos”. Há aqueles que com sorte conseguem as ligações com um empurrãozinho de algum amigo que conhece um político e, finalmente, os que desistem de viver na capital catarinense, carinhosamente chamada por muitos de “ilha da magia”.



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