domingo, 5 de janeiro de 2014

Falta água e falta respeito com o cidadão

Longe do blog há 20 dias – um trabalho “de verão” me requisitou - encontrei alguns minutos para registrar algo que tenho observado em Florianópolis. A capital catarinense é sim bonita, tem uma natureza avantajada, principalmente nos bairros a beira mar. No entanto, carece de muitas coisas indispensáveis, entre elas infra-estrutura de fato, real e completa, para receber tantos turistas que vêm em volume cada vez maior para a ilha.

Em um lugar que é destino turístico há tantos anos, não sei exatamente há quantas décadas a terra dos manes começou a ser a preferida entre muitos brasileiros e estrangeiros para o período de férias, não pode faltar água. Infelizmente é isto o que se vê: torneiras secas em pleno verão, com temperaturas altíssimas e população triplicada. Nos dois últimos dias a situação acalmou por causa da mudança de temperatura, chuva e alívio parcial. Mas até quando?...

Não vi este problema de água no Rio Vermelho, por enquanto só faltou luz - o que também é péssimo -, mas em locais do norte da ilha como Canasvieiras, Ingleses e outros a situação estava de arrepiar. Na última semana, diariamente vi passar não menos do que vinte a trinta  caminhões pipa que abasteciam hotéis e pousadas de água potável, pois as torneiras estavam secas. Cada qual explica como pode, mas a reclamação da maioria está no serviço prestado pela Casan, que ano a ano prorroga a realização das melhorias necessárias e, volta e meia, culpa a Celesc. E nada acontece.

O que parece é que em Florianópolis prosperam os interesses individuais: falta água e falta luz, os moradores que se virem e os turistas que vão embora de uma vez. Esta parece ser a mentalidade por estas bandas. Profissionalismo é raro, há muita improvisação. O que é ruim...

Reclamar não é a única intenção, o que estou colocando neste post é uma situação vigente que incomoda. A Casan e a Celesc no jogo de empurra empurra sobre os problemas parecem lucrar com o caos. Imagina se de repente cria-se esta dificuldade e dela nasce um novo nicho de mercado. Exemplo: sem água as empresas de caminhão pipa aumentam seus rendimentos, vendendo um bem que é direito de todos e que não é passível de cobrança.
  
Como bem lembrou a Fundação Brasil Cidadão  http://www.brasilcidadao.org.br/: “(...)Faz-se necessária uma nova cultura da água na qual se priorize seu uso como um direito humano inalienável e se realize uma gestão ecossistêmica sustentável deste recurso em lugar de considerá-lo, como se fez até agora, como um mero produto mercantil.”